segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Entre a culpa e a felicidade

Sim, estou sim novamente acima do peso. E não adianta me dizer que eu sou magra e blábláblá. Só eu sei o que me incomoda, e os “dois quilinhos” extras que ganhei nos últimos três meses, ahhh... esses tiram meu sono!

O que mais me dói é que apesar de eu estar trabalhando muito, mas muito mesmo, a culpa não é do meu serviço. Não adianta eu me enganar: a culpa é exclusivamente minha! Eu saio uma morta-viva do trabalho, acabada demais para ir à academia. Agora, se você me chamar para um sorvete ou um chopinho: Topo! Topo sim!

Eu poderia até acordar mais cedo para ir caminhar. Na verdade, pela hora que eu “bato o cartão”, daria tranquilamente para acordar, me exercitar e tomar um banho antes de encarar minha versão profissional. Mas quem disse que faço isso? Durmo até o último milésimo de segundo que me resta, quando não ultrapasso vários minutos!

Eu sei o que você está pensando! E a resposta é: eu tenho vergonha sim de estar uma “preguiçosa” (quer dizer, não tenho muita, mas tenho!). Digo “estar” porque eu não sou, mas estou preguiçosa. Normalmente eu sou bastante atleta, porque me sinto bem treinando, de verdade. Mas nunca na minha vida tive a força de acordar mais cedo para isso!

Fato é que ultimamente tenho optado por ser feliz e conviver com a culpa. Ela aborrece? Sim, claro. Todos-os-santos-dias! Mas passa com o gole de uma bebida bem geladinha e só volta no dia seguinte.

Acontece que na segunda eu trabalho até tarde e fico muito cansada, no dia seguinte é “dia de japa”, aí no meio da semana aparece um evento super legal e eu penso: “Vou matar minha culpa ou vou ser feliz? Ah, vou ser feliz!”. Até porque amanhã já é quinta, quando eu trabalho até tarde novamente e, você sabe, não adianta malhar um dia só na semana. E sexta, advinha? Ganho o mundo! Aí no sábado mais nunca que eu vou sair da piscina/mesa de bar/mesa da casa dos amigos, para ir correr. No domingo então... pufff... acordo tarde e é dia de cinema!

Jesus! Quando é mesmo que eu encontrava tempo e disposição para malhar tanto??? Não consigo me lembrar qual era o milagre que eu fazia! Será que eu dizia “não” para todos os momentos legais com meus amigos? Não sei explicar, mas, se para ser magra-magra-magra vou ter que abdicar aos jantares, aos momentos agradáveis, ou à cerveja do fim de semana, sinto muito, mas agora é que eu digo um belo “NÃO”. Não vou deixar de ser feliz para satisfazer minhas neuroses ou para estar dentro dos “padrões”. Afinal, quem disse que eu preciso ter a barriga mais reta ou a perna mais sarada para ser interessante? Muitíssimo pelo contrário!!! (Olha eu, que safada, me auto-consolando... tsk, tsk)

Pois eu já tomei minha decisão! Vou ser feliz sempre que quiser! Vou comer pizza, fugir para o Mc Donald’s e fazer brigadeiro de panela! Vou me encher de pipoca no cinema e saborear aquela sobremesa pecaminosa após o almoço. Vou mesmo e ponto!

Mas, por via das dúvidas, estou me afogando diariamente em dois litros de água, almoçando um filé grelhado com legumes, tomando chá verde, branco, amarelo e jantando apenas salada! Sabe como é... sou mulher... e a balança me apavora!!! Culpa, culpa, culpa...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sobre a revolução feminina e a pia cheia de louça suja

Nunca esteve entre meus sonhos mais remotos se tornar uma “dona de casa”. Juro por Deus! Acredite, já fui noiva e não casei porque eu não quis, sendo que um dos meus grandes temores (mas não o principal) era ter que cuidar de uma casa. Porém, essa nova “função” caiu de paraquedas na minha vida há cerca de um ano, quando meus pais se separaram. Agora moro com pai e irmão, sou a mulher da casa e isso me atormenta diariamente.

Prova de que eu não tenho nenhum talento para a coisa é que, quando criança, eu quase não brincava de casinha. Não tinha vassourinhas, panelinhas e nada semelhante que me ensinasse o serviço doméstico. Minha brincadeira favorita (além de fazer o “jornal de casa”) era de barbie, e a minha boneca era sempre uma empresária, bem sucedida, que tinha carros importados, mansões, roupas lindas e homens se jogando aos pés. Doce ilusão.

Para ser bem sincera, detesto ser dona de casa. Não sinto absolutamente nenhum prazer em cozinhar ou em fazer uma boa faxina. Quero morrer de catapora quando chego em casa e encontro a pia cheia de louça suja. Me arrepia até a nuca de ódio. Aliás, esse é o maior motivo de brigas já registradas entre minha família. E a pilha de roupas para passar então? Afff... adio dias, semanas.

Tenho absoluta convicção que não nasci para isso. E a revolução feminina muito me beneficiou nesse sentido. Certamente antes de ela acontecer muitas outras mulheres nasciam sem o dom doméstico, mas com outros talentos, porém, não tinham escolha, era desencostar a barriga do forno para encostar no tanque. Hoje nós temos! Podemos amar cuidar de cada detalhe um lar ou simplesmente preferir trabalhar e pagar uma faxineira.

Mesmo que a opção seja a segunda, isso não nos isenta do título de “donas de casa”. E não importa o quanto detestemos, fica para nós a responsabilidade de, no mínimo, coordenar tudo. Desde fazer as compras, contratar/orientar a empregada, até providenciar a comida, mesmo que ela seja congelada.

Tenho um amigo que afirma que não tem que dividir os deveres domésticos com as mulheres, simplesmente porque ele não queimou cuecas na praça reivindicando isso. Eu discordo, claro. Acho que, a partir do momento que a mulher dividiu com o homem o peso de sustentar um lar, ele tem por obrigação dividir as tarefas de casa. Mas concordo com ele no sentido que, é bastante difícil modificar as responsabilidades pré-impostas. Sempre se esperará que o homem seja o provedor do lar, e ele será criticado e minimizado se não conseguir fazer isso, e que a mulher cuide da família em todos os sentidos. (Tudo isso excluindo a possibilidade de morar sozinho)

Por mais que se afaste “braçalmente” das tarefas, sempre será a mulher a principal responsável por dar as coordenadas, por organizar o trabalho doméstico. Também é ela quem efetivamente quem cuidará das crianças, até porque mãe será sempre mãe e não tem jeito. Pai, só é mãe em casos extremos, quando realmente não há uma figura feminina.

Então, debatendo com meu amigo esse fim de semana, ele concluiu fazendo a seguinte analogia: é como se a mulher decidisse por conta própria que queria fazer hora-extra e então exigiu o pagamento por isso. Tirando o machismo da frase, isso não deixa de ter seu lado de verdade. Claro que era mais do que tempo da revolução acontecer. Mas nós decidimos trabalhar fora e a função de dona de casa permaneceu lá, também para nós, sem que ninguém quisesse assumi-la. Então, seguimos tentando equilibrar as duas tarefas e perdemos, e muito com isso, principalmente em tempo. Por isso vivemos reclamando, é bem verdade. Mudamos uma situação e ainda estamos aprendendo a contornar as dificuldades que essa alteração nos trouxe.

Aumentamos a carga de cobrança para nós mesmas, e agora temos que ser, além de belas mulheres, boas mães e donas de casa exímias, excelentes profissionais a ponto de superar os homens no mercado, para provarmos nossa capacidade! Ufaaaa!!! Tudo isso enquanto os homens continuam tendo que ser apenas os provedores!

Vivemos divididas entre o trabalho, a casa e os filhos (não no meu caso). Algumas sabem lidar com isso melhor que outras. E eu realmente admiro as que são capazes de dar conta de tudo, até porque serviço doméstico é uma coisa muito ingrata. Não tem fim, ninguém reconhece, mas todo mundo reclama quando não é feito. Mas eu não sou dessas, eu me estresso, e muito.

Mas tenho certeza que não há quem não se descabele com uma pia cheia de louças por lavar depois de um dia cheio. Ou com a falta de prontidão em ajudar. E também com aquele pensamento idiota de que “a obrigação é da mulher e eu só faço se mandarem”. Arrrgggghhh!!! Quem disse que sou eu quem tem que estragar minhas lindas unhas e fazer o serviço? Porque não o homem? Afinal, trabalhei tanto quanto ele!

A solução, a meu ver, é promover agora a revolução dentro de casa. É fazer com que eles enxerguem que todos nós temos sim os mesmos direitos, mas também os mesmos deveres. É entrar em acordo. Eu já conto com a imensa colaboração do meu pai, que “faz supermercado” e traz a comida prontinha. Esse final de semana ajudei meu irmão a desvendar os mistérios da máquina de lavar. Não vou dizer que meu sonho está totalmente realizado. Mas assim vamos seguindo, nos ajustando, nos ajudando, brigando pela louça suja (neste ponto vocês já entenderam qual é o motivo da minha revolta, não é?), mas vivendo e nos tornando uma família verdadeiramente moderna.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Satisfação



Pessoal, conforme avisamos quando lançamos o blog, a atualização dependeria de nossa inspiração e disponibilidade de tempo. Pois bem: estamos trabalhando bastante e, para piorar, minha comparsa está se recuperando de uma alergia que a prejudicou bem aonde? NAS MÃOS! Ou seja, não pode nem relar no teclado.

Fica aqui o meu apelo: não desistam da gente. Prometo que em breve postarei algum texto.

Beijos

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A 100 por hora



Eu corro demais. O tempo todo. Até quando não precisa eu estou acelerada. Isso me faz mal, muitas vezes me deixa com a respiração ofegante. Por isso, ultimamente estou sempre cansada. Meu corpo grita por uma pausa. Eu me pergunto: por que sou assim? Mas vejo que não sou a única. O tempo inteiro cruzo com pessoas que estão correndo tanto quanto eu.

Acho que assumimos tarefas demais. Eu, além disso, sou um pouco desorganizada, displicente, preguiçosa. Sempre fui muito pontual, mas o tempo me deixou mais desleixada. Acordo atrasada sempre. A cama sempre consegue me segurar mais 10 ou 15 minutos (em geral meia hora). Quando levanto, começa a maratona e corro para lavar o rosto, para me arrumar. E o café? Tomo andando pela casa, enquanto termino de ajeitar minhas coisas.

Tento lembrar quando foi que comecei a ficar assim. Não sei se foi depois que me tornei mãe. Talvez. Antes, eu só tinha que me arrumar. Hoje, tenho que tirar uma criança da cama, dar banho, trocar, arrumar o cabelo, obrigar a escovar os dentes, alimentar. Tudo isso em meio a muitas reclamações. Fico zonza, acabo perdendo as coisas pelo caminho. Recomeço tudo.

Outro dia recebi um e-mail que brincava com a falta de memória gerada pela quantidade de tarefas que uma pessoa tem que desempenhar em um dia. Me vi no e-mail. Tem dias que começo a fazer uma atividade, paro para correr com outra coisa e outra, e outra, e acabo não terminando nada. Me sinto mal, uma incompetente. Se eu fosse mais calma e me concentrasse em uma coisa por vez, talvez conseguisse terminar tudo.

Até para comer eu tenho pressa. Minha companheira de blog diz que eu simplesmente engulo a comida. É verdade. Como rápido para voltar ao trabalho ou arrastar meu sári pelo mercado. Ando rápido, falo rápido. E infelizmente não tenho a mínima paciência com quem passeia pelas calçadas ou fala como se tivesse acabado de fumar um baseado.

Digo “infelizmente” porque sei que tenho que respeitar o jeito de ser do outro, talvez ele até viva mais do que eu, que sou acelerada e posso ter um infarto a qualquer momento. Mas vá viver lentamente em outra freguesia, saia da minha frente! Não aguento aquelas pessoas que andam com o carro a 30 quilômetros por hora e param em todas as preferenciais. Nem sempre tenho necessidade de chegar rápido em algum lugar, mas não consigo simplesmente passear, ocupando toda a via pública, como se pagasse dois IPVAs.

Dizem que fazer exercícios ajuda. Mentira. Sempre que vou correr (sem trocadilho), volto correndo para casa porque já estou atrasada para o trabalho. E corro para tomar banho, para arrumar minha pasta, comer.

Semana passada meu irmão disse que sou muito estressada, já que fiquei brava porque a empregada faltou sem avisar. Sou estressada mesmo, afinal, sou eu quem tem que almoçar correndo para ir para casa dar um jeito na zona. Depois, comprar presente de aniversário para não sei quem, ir ao supermercado, pagar conta, trabalhar.

Quero desacelerar, eu juro. Nem que seja por alguns dias. Falar devagar, comer e tomar banho sem pressa. Poder dormir sem ficar pensando na infinidade de coisas que tenho para fazer no dia seguinte e imaginar a correria que vou enfrentar. Quero ter um dia inútil, em que eu possa enjoar de ficar sem nada para fazer. Ter tempo de andar pelas ruas e ver o que mudou nas construções (passo tão rápido que não observo isso). Não quero precisar parar de repente para respirar lentamente simplesmente porque estou sentada em minha cadeira, mas parece que andei 20 quarteirões, de tão cansada que estou. Quero calma. Falta muito para sexta-feira?

***
Em tempo: este texto foi escrito na sexta. Hoje é segunda e a pessoa que trabalha em casa continua desaparecida. Eu sou estressada?

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Um brinde ao novo ciclo

Então cheguei aos 25 anos!

Antes que vocês me xinguem, eu não estou reclamando da minha nova idade. Estou apenas pensando sobre como o tempo passa rápido. Afinal, até ontem eu tinha 18 anos e foi por esses dias mesmo que eu estava festejando os 24! Como já posso estar completando 25?

Além disso, em todos meus aniversários não consigo deixar de pensar que já é quase Natal, quase Ano Novo outra vez. Tenho quase certeza que o mundo está girando mais rápido do que o normal ou que algum fenômeno está acelerando o tempo. Porque não é possível! É só pra mim ou você também tem essa sensação?

Acho que isso é porque a gente “cresce” e a cada ano temos os dias mais cheios, mais coisas para fazer, mais responsabilidades. A minha semana passa num piscar de olhos. E, apesar de eu ter depressão aos domingos à noite (véspera de segunda-feira), sei que logo logo já é sexta e eu não vou ter feito metade das coisas que planejei. Muitas vezes isso me faz sentir menos útil do que eu gostaria de ser.

Pois é, aprendi, aos 25, que o tempo passa depressa demais. E levei todos esses anos para compreender que na vida nada é definitivo. Tudo muda, o tempo todo. Os lugares que a gente frequenta, alguns gostos, as paixões, a música preferida, e até mesmo a “turma” de amigos.

E é engraçado porque, num dia choramos desesperados achando que perdemos o amor da nossa vida e que nunca sofremos tanto assim, e no outro tropeçamos em uma outra pessoa, em uma nova história. Quando olho para trás, chego a dar graças a Deus que alguns romances, que eu tanto quis, não deram certo, não engrenaram. É, tudo muda.

É por isso que hoje me dou o direito de me auto-desejar algumas mudanças no decorrer dos meus 25 anos. A principal é que Deus dê um jeito no meu “dedo podre” e pare de me enviar os sapos. Porque muito ajuda quem não atrapalha. E eu já percebi que sou mais feliz junto dos meus amigos, minha família e da cachaça do que em um relacionamento, digamos, “tenso”. Portanto, quero calma, quero sossego, quero PAZ!

Quero também equilíbrio. Porque, corajosa eu sou, força eu tenho, só me falta o equilíbrio. Desejo que neste ano, que é novo para mim, eu aprenda a controlar melhor meus impulsos, meu gênio forte, que eu consiga respirar fundo e passe a agir de forma menos violenta. Tenho certeza que isso me ajudará a ter mais SAÚDE! Porque estresse deixa doente e faz cair cabelo!

Anseio, do fundo do meu coração, que minha família encontre uma forma de viver em harmonia. Que meu cachorro aprenda a me obedecer. E que meus amigos sejam abençoados, fiquem sempre bem, e continuem sempre por perto, para rir da vida comigo. Porque só assim eu poderei alcançar, mais ainda, a FELICIDADE!

E que tudo isso junto me dê às forças necessárias para que eu possa correr atrás sempre, para que eu realize os meus sonhos, conquiste vitórias, e obtenha meu próprio, e honesto, DINHEIRO. Eu não sou hipócrita, afinal, quem quer viver no sufoco?

Desejo isso tudo para mim, desejo isso para nós. Mas desejo, acima de tudo, que nunca nos falte a “cana” do final de semana. Que estejamos sempre juntos e inspirados para as palhaças do dia-a-dia. E que nos sobre alegria. Amém!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A praga da internet


A internet é uma praga. Ela foi criada para conectar o mundo, mas é um tanto quanto contraditória, pois com ela nos afastamos de quem está ao nosso lado. Já percebeu que é mais fácil conversarmos com nossos vizinhos pelo MSN do que ao vivo? Quando chego em casa depois do trabalho já estão todos recolhidos em suas bolhas.

Nos aniversários, só ligamos para os amigos muito chegados. Aos demais, um e-mail ou um recado no Orkut bastam. Muitas vezes nos abrimos mais com um desconhecido na internet do que com alguém da própria família.

Tem pessoas que contam a vida para um amigo cibernético. Quando se encontram na rua, fingem que não se conhecem. Ou ficam pisando em ovos. Quase pedem: “Peloamordedeus, vamos voltar para o MSN?”. A distância física parece ser mais confortável. Sem contar que na internet todo mundo é lindo. E poeta. Já reparou nos perfis do Orkut? E nas frases do MSN?

No próprio ambiente de trabalho, muitas vezes ao invés de falar por telefone ou pessoalmente, mandamos e-mail. Virou hábito, mas também é algo bom, porque tem registrado aquilo que você e o outro prometeram. Se um dos dois esquecer da conversa, basta ir no Itens Enviados e resgatá-la. Isso se o Outlook funcionar, claro.

Sinto vontade de arremessar o monitor no chão cada vez que um programa não funciona. Como é público e notório, sou um pouco estressada – tá bem, muito. Sabe quando você está com um e-mail pronto e ele não é enviado por um problema de conexão? Então. Isso me tira do sério.

Sou viciada em internet. Meu Outlook está configurado para receber mensagens automaticamente a cada 5 minutos. Quem disse que eu consigo esperar? Acho que tenho TOC, porque a cada um minutos dou um “Enviar/Receber” para ver se chegou algo útil.

Mas fico nervosa mesmo quando a internet está fora do ar, o que ultimamente tem sido corriqueiro. Bate um sentimento de impotência. Uma sensação de estar desconectada com a realidade. É um absurdo, eu sei. Mas é assim que eu me sinto. Parece que todas as pessoas estão bem informadas, menos eu.

Quando estou tentando manter um diálogo pelo MSN, então, o estresse chega ao nível “Power”. Você digita a mensagem e ela volta. Ou você digita e o outro não responde: é ele quem não está conseguindo enviar a mensagem. Às vezes, isso acontece no meio de uma DR. É de matar. Estou quase pedindo indenização por danos morais para a droga da empresa responsável pelo serviço.

Não sei como as pessoas viviam antigamente sem internet. Imagino que era mais difícil obter informações, mas as pessoas deveriam ser mais felizes. Ninguém se descabelava porque o Speedy estava sem funcionar há dias. Datilografavam uma folha de papel sulfite, discavam o número de fax e continuavam suas vidas. Queriam se informar? Liam jornal, ouviam rádio ou viam TV. Queriam ter uma DR? Esperavam o fim de semana para encontrar o dito-cujo ou se falavam por telefone. Ao menos ouviriam as reações um do outro a cada frase dita. Ninguém ficaria offline bem na hora do “vamuvê”.

Cynthia parece estar offline. As mensagens serão entregues quando este contato entrar.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Meu ódio de banco

A minha parceira de blog já declarou que não gosta de supermercado. Já eu, definitivamente, detesto ir ao banco. Especialmente o meu, que é aquele maldito banco popular no qual todo trabalhador brasileiro possui uma conta. Odeio, do fundo da alma! Odeio!

Adio o quanto eu posso e, quando não posso mais, fico toda empipocada de alergia só de pensar no nervoso que vou passar. Tento me preparar psicologicamente para os momentos de ira que eu passarei, mas as mãos já ficam frias e suadas. Sabe, fiquei traumatizada depois que tive que fazer o maior-escândalo-do-mundo para que retirassem o cheque especial que me deram sem que eu pedisse, claro. Afinal de contas, está aí uma coisa que eu quero distância, cheque especial.

Enfim, lá vamos nós...

Para estacionar já é uma terrível. É preciso rodar duas, três vezes o quarteirão para, com sorte, achar uma vaga. E na entrada do banco já há milhares de pessoas se acotovelando para passar na porta giratória. Oh, céus, a porta giratória! Quando a vejo não tenho certeza se estou pronta para aquilo.

Retiro da bolsa meu celular e minhas chaves e deposito na caixinha. Obviamente a porta trava quando tento passar. Tiro a máquina digital e o porta-cartões e trava! Tiro a bolsinha de moedas e os óculos de sol e advinha? TRAVA! Quase em prantos, digo ao segurança do banco que não há mais nada e ele olha e fala para tirar também a aspirina, porque cartela de remédio trava a porta. Aspirina trava a porta??? Affff. Ok, eu tiro. E pergunta se não travou? Penso em enfiar a bolsa toda na caixinha, mas o segurança não deixa.

Em um momento de racionalidade volto ao carro e deixo a bolsa lá! Ufa! Passei pelo mais difícil, eu acho. É nesse momento que eu vejo aquela fila enorme para sacar dinheiro e quero morrer. Sabe como é... senhorinhas que ficam duas horas no caixa eletrônico e precisam de ajuda do estagiário até mesmo para tirar um extrato. Obviamente uma puxará assunto comigo, certeza!! Chega minha vez, saco dinheiro e tento pagar um boleto, mas o leitor não identifica o código de barras. Digito os números e dá “inválido”. Insisto e nada! Chamo o ajudante e nada! Então, mais uma vez, deixo para pagar no supermercado, que sempre funciona.

Depois vou para o caixa que imprime cheques. Tento uma, duas, três vezes e nada! Volto ao estagiário e pergunto se está funcionando e ele diz, conclusivo: “Olha, eu acho que não. Sempre quebra!” Ahhh, que bom! Porque só tem UMA máquina de imprimir cheques. E o que eu faço então? Ele aponta a fila gigantesca dos caixas normais lá dentro do banco e eu definitivamente desisto dos cheques. Fica para a próxima.

Também preciso trocar um débito automático de uma conta para outra e estou adiando isso há meses. Respiro fundo, tomo coragem e sento na espera pelo atendimento especializado, já que há poucas pessoas no local. Quarenta minutos depois, sem uma única pessoa ser chamada, eu desisto.

Quando estou indo embora, vejo um gerente. Vou até ele e reclamo do caixa dos cheques quebrado e ele diz: “É, máquina é assim, quebra”. Reclamo das filas e ele fala: “Isso sempre vai ser assim”. Imagino minhas mãos apertando o pescoço dele. Bacana, me tranquilizou bastante. Máquina quebra mesmo, fila sempre vai ser grande. Então tá, vamos explodir essa porcaria de lugar porque aqui nada funciona!

Saio fuzilando de raiva porque, das quatro coisas que eu tinha para fazer lá dentro, consegui apenas uma. E para simplesmente sacar dinheiro eu teria ido a um caixa eletrônico do Banco 24 Horas, onde eu pago uma tarifa abusiva para pegar meu próprio dinheiro, mas ao menos não passo nervoso.

Então, penso: ainda bem que meu banco “acredita nas pessoas”, é “feito para mim”, quer “crescer comigo”, é “completo”. Ou seja, ele é perfeito. O problema deve ser eu, claro. Ô pessoa mais sem paciência, viu?

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Então aconteceu: estou apaixonada!

Ocorreu assim, repentinamente, sem que eu planejasse. Eu não queria, e digo mais: não estava preparada. Mas ainda assim me apaixonei, perdidamente!

Foi numa visitinha informal, sem compromisso. Mas ela olhou para mim, eu olhei para ela e “plim”, foi como num passe de mágica. Não, não precisa esfregar os olhos. Você leu certo: ELA!

A sandália mais linda que encontrei nessa estação. E a mais cara também, claro! Porque eu não sei o que acontece comigo, mas meu olho sempre, sempre vai no mais caro. A loja pode ter mil opções lindas e acessíveis, mas meu coração é fisgado por aquele produto com um preço abusivo.

Faço mil cálculos na cabeça e arrumo todas as justificativas possíveis para me auto-convencer que de posso comprar. Posso não, devo! Afinal, é uma oportunidade! Custa o preço de umas três boas sandálias, mas a minha será única! Não é? Além disso, trabalho bastante, meu aniversário tá chegando e eu mereço me dar um presente! Ah, mereço!

Então, um raio de luz, quase que divina, ilumina meu carro lá fora. E eu lembro que bati e ainda tenho que pagar a facada do conserto. Ah, droga! Odeio ter que ser racional! Odeio! Eu poderia até comprar, fazer um carnêzinho, mas poxa, preciso ter prioridades.

Levo uma rasteirinha de “consolo” (que é o que na verdade entrei para comprar) e saio quase que fugida da loja, para não mudar de ideia. Me tranco no carro e vou embora rápido, bem rápido... mas sei que vou suspirar uns dois dias pela dor do abandono.

Esse tipo de coisa sempre acontece comigo. Outro dia meus olhos brilharam por uma bolsa que, sinceramente, ainda não esqueci. Como ela custava o preço de duas, me contive e juntei forças para sair da loja, mas até agora estou evitando passar naquela rua, para não cair em tentação.

Veja bem, eu não sou uma pessoa controlada, não se engane. Muito pelo contrário. Cedo aos meus impulsos consumistas na grande maioria das vezes e compro mais do que deveria, sem pensar se realmente utilizarei aquilo. Acontece que, na hora, parece que a vida será impossível sem aquele produto. Quantas e quantas coisas tenho encostadas no armário... é por isso que, quando recobro a consciência por alguns instantes, corro para bem longe. Afinal, meu orçamento não suporta todas as minhas vontades (droga!!).

Ser mulher não é fácil! É tanta coisa que a gente precisa, tanta coisa que as revistas fazem a gente desejar loucamente. Porque simplesmente não dá para viver assim como os homens, com um tênis, um chinelo e um sapato social. E por outro lado, 90% da publicidade que nos bombardeia diariamente é voltada para o público feminino. E resistir NÃO É FÁCIL!

Mas, eu simplesmente morro de medo de virar aquelas pessoas que aparecem no Globo Repórter: atoladas em dívidas por coisas fúteis. E, como acho que tenho uma certa tendência para isso, não tenho cartão de crédito e deixo meu talão de cheques em casa (mas já saí correndo buscar). Enfim, vou vivendo, assim como muitos, tentando me equilibrar entre o que quero e o que posso. E sigo me recuperando das paixões não concretizadas. Dói. Muito.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Troca de sexo



Somos incompreendidas mesmo. Reclamam que somos estressadas, choronas, instáveis. Mas somente nós, mulheres, sabemos das dificuldades de ser mulher. Homem nenhum imagina o que um monte de hormônios faz em nosso organismo. Homem nenhum sonha o que é sofrer com cólicas. Só nós entendemos o que é ter que continuar vivendo – e fingindo que nada está acontecendo – em semana de TPM.

Homem deve imaginar que a sensibilidade aflorada das mulheres dias antes da menstruação é frescura. Juramos que não é. A gente, na verdade, muitas vezes nem sabe o que está acontecendo. Nós só sabemos chorar e ficar irritadas. E inchadas. Nem eu me aguento. Acabo me fechando para não ser insuportável demais com as pessoas.

Mas este não é o único sofrimento. Algumas mulheres são acometidas por cólicas horríveis. Daquelas que as deixam pálidas, com as pernas moles, com enjoo. Não há remédio que faça passar. Além do sofrimento, de só querer cama e colo, a mulher é obrigada a trabalhar. E sorrir, senão é chamada de mal humorada.

Longe de mim me fazer de vítima (ok, às vezes fico carente). Mas me irritam aqueles homens que creem que mulheres têm vida fácil, fútil, que reclamam de qualquer coisa. Logo os homens dizerem isso! Já viu quando eles estão com resfriado? Parece que voltaram da África a nado. Alguns chegam a mancar. Com um resfriado.

Não é à toa que Deus escolheu a mulher para ser mãe. Homem ficaria 9 meses deitado, esperando e reclamando. A mulher, não: aguenta enjoos, inchaço, o peso, os hormônios (de novo)... Aguenta até perder todas as suas roupas temporariamente. E seus sapatos, porque não há um que entre em um pé inchado de uma grávida de 8 ou 9 meses. Depois que o filho nasce, quem acorda de madrugada para amamentar? Quem? A mulher.

Muitas vezes somos chamadas de sexo frágil. Só porque não sabemos trocar um pneu. Eu não sei nem onde fica o tal do macaco. Mas para quê, se não vou ter força para desrosquear aqueles negócios? E minhas unhas? Além disso, o MÍNIMO que um homem deve fazer é trocar o pneu para a mulher. Trocar a lâmpada. Abrir o pote de azeitona.

O momento “revolt’s” é só para dizer que na próxima encarnação quero ser homem. Não quero ter vontade de chorar quando vejo um passarinho brincando em cima do muro. Não quero ter vontade de gritar cada vez que alguém chama meu nome para fazer uma pergunta imbecil. Quero apenas me preocupar com meu trabalho, meu time, meus amigos e minha família (alguns nem isso fazem). Vou adorar sair por aí trocando pneu. Mas não quero mais sofrer por ser mulher e ainda ouvir que tudo não passa de frescura.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Garota atrasada

Minha mãe conta que eu demorei quase dois dias para nascer. Enquanto isso, ela ia e voltava do hospital e sentia eu me “espreguiçando” dentro da barriga dela. Mas nada de querer sair. Até que ela passou a noite toda internada, acordada, com dores e eu simplesmente não nascia. O parto aconteceu só de manhã, porque, segundo ela, até então eu estava dormindo e não queria nem saber, que me esperassem!!! Para acabar com o sofrimento, foi feita uma cesárea. E foi assim que eu já nasci atrasada. E dorminhoca.

Acordar cedo é das coisas mais difíceis que alguém pode me pedir na vida! O despertador toca 250 vezes antes que eu consiga pensar em abrir os olhos. Sinto quase que uma dor física ao levantar da cama. Então, começo o dia atrasada e atrapalhada. Obviamente chego ao trabalho, quase sempre, minutos mais tarde do que deveria. Alguns dias mais, outros menos.

Mas se você pensa que eu só me atraso porque estou indo trabalhar, está muitíssimo enganado. A coisa piora, e muito, quando os compromissos são sociais. Desde um simples cineminha até uma balada forte, pode apostar, eu não vou chegar na hora. Em churrascos então, vixiiiiiii... tenho a capacidade de chegar horas depois. E olha que eu espero minha semana toda por isso.

Até aí, eu não ligo muito de chegar mais tarde nos eventos. O problema é que, quase sempre, eu dou carona para alguém, que obviamente se irrita muito (não sei por que) em aguardar, por alguns, errrr digamos, minutinhos a mais. Uma amiga (não muito paciente, snif) já até ameaçou de colocar um chip sob a minha pele, para que ele que me dê um choque a cada minuto de atraso. Essa, coitada, cansou de me esperar na garagem da casa dela.

Sabe, eu acho bonito ser pontual, de verdade. Mas eu simplesmente não consigo! É um defeito meu, pronto! Chegar na hora marcada é uma tarefa muito difícil para mim. E eu nem sei explicar o motivo.

Aliás, até sei. Tudo na minha vida é enrolado. Chego em casa e o cachorro não comeu e nem tem água. Vou entrar no banho e meu irmão entra na minha frente. Não encontro uma roupa passada e quanto mais escolho, mais roupa eu passo. Meu pai tem o dom de sentar na minha cama para travar conversas “bombásticas” quando estou me maquiando. Quando vou sair, toda santa vez, meu cachorro foge e eu tenho que ir atrás dele e dar uma voltinha no quarteirão para ele voltar. Etc, etc, etc. Tudo acontece comigo. É sério.

Além disso, coisa mais difícil do mundo é alguém vir me buscar em casa. É sempre “tal hora na casa de alguém” e eu, que moro longe, ainda tenho que pegar mais outro no caminho. Resultado é que a última pessoa tem, ao menos, 20 minutos a mais do que eu para se arrumar. Sacanagem! Eu já sou atrasada por natureza!

Meu amigo diz que o certo é marcarem comigo sempre uma hora antes do “limite”. E ele tem razão, seria o melhor. Só que não me contem, senão não funciona! Até porque, eu chego ao cúmulo de atrasar (e muito) quando sou eu mesma quem marco a hora. Acho que isso nem Freud explica.

Por isso que eu digo que, se eu pudesse pedir a Deus uma qualidade, seria a da organização. Organização em casa, no trabalho, na vida, nos horários. Porque eu mesma me irrito em ser atrapalhada, bagunceira e sempre atrasada. Acredite!!!

Mas, como isso já nasceu comigo (está mais que provado) e faz parte de mim, pedi as esperanças. Eu me entrego! Sou atrasada! E apesar de tudo isso eu sou feliz... só não me acorde!!!