Nunca esteve entre meus sonhos mais remotos se tornar uma “dona de casa”. Juro por Deus! Acredite, já fui noiva e não casei porque eu não quis, sendo que um dos meus grandes temores (mas não o principal) era ter que cuidar de uma casa. Porém, essa nova “função” caiu de paraquedas na minha vida há cerca de um ano, quando meus pais se separaram. Agora moro com pai e irmão, sou a mulher da casa e isso me atormenta diariamente.Prova de que eu não tenho nenhum talento para a coisa é que, quando criança, eu quase não brincava de casinha. Não tinha vassourinhas, panelinhas e nada semelhante que me ensinasse o serviço doméstico. Minha brincadeira favorita (além de fazer o “jornal de casa”) era de barbie, e a minha boneca era sempre uma empresária, bem sucedida, que tinha carros importados, mansões, roupas lindas e homens se jogando aos pés. Doce ilusão.
Para ser bem sincera, detesto ser dona de casa. Não sinto absolutamente nenhum prazer em cozinhar ou em fazer uma boa faxina. Quero morrer de catapora quando chego em casa e encontro a pia cheia de louça suja. Me arrepia até a nuca de ódio. Aliás, esse é o maior motivo de brigas já registradas entre minha família. E a pilha de roupas para passar então? Afff... adio dias, semanas.
Tenho absoluta convicção que não nasci para isso. E a revolução feminina muito me beneficiou nesse sentido. Certamente antes de ela acontecer muitas outras mulheres nasciam sem o dom doméstico, mas com outros talentos, porém, não tinham escolha, era desencostar a barriga do forno para encostar no tanque. Hoje nós temos! Podemos amar cuidar de cada detalhe um lar ou simplesmente preferir trabalhar e pagar uma faxineira.
Mesmo que a opção seja a segunda, isso não nos isenta do título de “donas de casa”. E não importa o quanto detestemos, fica para nós a responsabilidade de, no mínimo, coordenar tudo. Desde fazer as compras, contratar/orientar a empregada, até providenciar a comida, mesmo que ela seja congelada.
Tenho um amigo que afirma que não tem que dividir os deveres domésticos com as mulheres, simplesmente porque ele não queimou cuecas na praça reivindicando isso. Eu discordo, claro. Acho que, a partir do momento que a mulher dividiu com o homem o peso de sustentar um lar, ele tem por obrigação dividir as tarefas de casa. Mas concordo com ele no sentido que, é bastante difícil modificar as responsabilidades pré-impostas. Sempre se esperará que o homem seja o provedor do lar, e ele será criticado e minimizado se não conseguir fazer isso, e que a mulher cuide da família em todos os sentidos. (Tudo isso excluindo a possibilidade de morar sozinho)Por mais que se afaste “braçalmente” das tarefas, sempre será a mulher a principal responsável por dar as coordenadas, por organizar o trabalho doméstico. Também é ela quem efetivamente quem cuidará das crianças, até porque mãe será sempre mãe e não tem jeito. Pai, só é mãe em casos extremos, quando realmente não há uma figura feminina.
Então, debatendo com meu amigo esse fim de semana, ele concluiu fazendo a seguinte analogia: é como se a mulher decidisse por conta própria que queria fazer hora-extra e então exigiu o pagamento por isso. Tirando o machismo da frase, isso não deixa de ter seu lado de verdade. Claro que era mais do que tempo da revolução acontecer. Mas nós decidimos trabalhar fora e a função de dona de casa permaneceu lá, também para nós, sem que ninguém quisesse assumi-la. Então, seguimos tentando equilibrar as duas tarefas e perdemos, e muito com isso, principalmente em tempo. Por isso vivemos reclamando, é bem verdade. Mudamos uma situação e ainda estamos aprendendo a contornar as dificuldades que essa alteração nos trouxe.
Aumentamos a carga de cobrança para nós mesmas, e agora temos que ser, além de belas mulheres, boas mães e donas de casa exímias, excelentes profissionais a ponto de superar os homens no mercado, para provarmos nossa capacidade! Ufaaaa!!! Tudo isso enquanto os homens continuam tendo que ser apenas os provedores!
Vivemos divididas entre o trabalho, a casa e os filhos (não no meu caso). Algumas sabem lidar com isso melhor que outras. E eu realmente admiro as que são capazes de dar conta de tudo, até porque serviço doméstico é uma coisa muito ingrata. Não tem fim, ninguém reconhece, mas todo mundo reclama quando não é feito. Mas eu não sou dessas, eu me estresso, e muito.
Então, debatendo com meu amigo esse fim de semana, ele concluiu fazendo a seguinte analogia: é como se a mulher decidisse por conta própria que queria fazer hora-extra e então exigiu o pagamento por isso. Tirando o machismo da frase, isso não deixa de ter seu lado de verdade. Claro que era mais do que tempo da revolução acontecer. Mas nós decidimos trabalhar fora e a função de dona de casa permaneceu lá, também para nós, sem que ninguém quisesse assumi-la. Então, seguimos tentando equilibrar as duas tarefas e perdemos, e muito com isso, principalmente em tempo. Por isso vivemos reclamando, é bem verdade. Mudamos uma situação e ainda estamos aprendendo a contornar as dificuldades que essa alteração nos trouxe.
Aumentamos a carga de cobrança para nós mesmas, e agora temos que ser, além de belas mulheres, boas mães e donas de casa exímias, excelentes profissionais a ponto de superar os homens no mercado, para provarmos nossa capacidade! Ufaaaa!!! Tudo isso enquanto os homens continuam tendo que ser apenas os provedores!
Vivemos divididas entre o trabalho, a casa e os filhos (não no meu caso). Algumas sabem lidar com isso melhor que outras. E eu realmente admiro as que são capazes de dar conta de tudo, até porque serviço doméstico é uma coisa muito ingrata. Não tem fim, ninguém reconhece, mas todo mundo reclama quando não é feito. Mas eu não sou dessas, eu me estresso, e muito.
Mas tenho certeza que não há quem não se descabele com uma pia cheia de louças por lavar depois de um dia cheio. Ou com a falta de prontidão em ajudar. E também com aquele pensamento idiota de que “a obrigação é da mulher e eu só faço se mandarem”. Arrrgggghhh!!! Quem disse que sou eu quem tem que estragar minhas lindas unhas e fazer o serviço? Porque não o homem? Afinal, trabalhei tanto quanto ele!A solução, a meu ver, é promover agora a revolução dentro de casa. É fazer com que eles enxerguem que todos nós temos sim os mesmos direitos, mas também os mesmos deveres. É entrar em acordo. Eu já conto com a imensa colaboração do meu pai, que “faz supermercado” e traz a comida prontinha. Esse final de semana ajudei meu irmão a desvendar os mistérios da máquina de lavar. Não vou dizer que meu sonho está totalmente realizado. Mas assim vamos seguindo, nos ajustando, nos ajudando, brigando pela louça suja (neste ponto vocês já entenderam qual é o motivo da minha revolta, não é?), mas vivendo e nos tornando uma família verdadeiramente moderna.
15 comentários:
Cunhada, otimo post!
Atualmente passo pelo mesmo dilema, o bom é que tenho uma irmã pra dividir as tarefas e uma empregada que vem alguns dias da semana para fazer o mais pesado, mais como vc mesma disse, não nos isenta do papel de mulheres da casa. Sem contar da cobrança feita pelo pai que soa como musica para nossos ouvidos... kkkk
E se chega o sabado, e a casa não está impecavel para o rei utilizar, vem mais cobrança ainda, uma beleza.. rs
Concordo que promover essa tal revolução seria mesmo a solução para os nossos problemas, cada um fazendo a sua parte está otimo. Pena que na pratica nem tudo é tão lindo assim.
E pode ficar mais tranquila que agora ao menos nos finds tem mais uma ajudante para acabar c pilha de louça suja.kkkk
Parabens de novo pelo blog, continua otimo!
Um beijo
Bruna
Pois é flor... sei bem que na prática são outros 500. Mas faz um ano que brigo ferrozmente pela igualdade lá em casa e podemos dizer que obtive algumas conquistas! Não é 100%, mas deixar quieto é que não vou... no mínimo eu reclamo! Mas ao menos meu pai é mais compreensivo e colaborativo. (Também, eu sou muito mais cricri... hehe)
Só que eu acho engraçado que homem sempre acha que faz tudo... só porque tireou o lixo, lavou dois pratos e passou vassoura na casa uma vez no mês, são mártires... hahahaha... vai dizer que não é???
Obrigadaaaaaa querida!!! Lavando o que suja tá ótemo... hahahahahahahahahahaha
Super bjo
"Tudo isso enquanto os homens continuam tendo que ser apenas os provedores!"
KKKKKKK
Ser só o provedor, que balela... Adiciona segurança, pintor, marceneiro, pedreiro motorista... A época do pançudo tomando cerveja à la "homer simpson" eu nem vi acontecer, só existe na televisão..
Fora isso, faxineira 2x por semana resolve 80% dos problemas, principalmente o de lavar e passar que tanto me atormentam...
Olá Tati
estava com saudades. Adorei o texto. Vc passou a viver isso ha pouco tempo, eu vivo isso todos os dias desde que entrei para a faculdade e fui morar sozinha (eu tinha 17 anos e não vou falar quanto tempo faz mas é bastante..rs).
Acho que já falei algumas vezes aqui nos comentários sobre o que penso da "revolução feminina". Vivo o mesmo dilema que vc todos os dias, somado ao fato da maternidade e da cobrança (minha e da sociedade) em ser uma excelente mãe.
Temos que ser ótimas profissionais, boas mães, donas de casa exímias e no final do dia ainda estar "linda" e com a unha feita...ufa...só de pensar cansa.
Mas sempre damos conta... mesmo com o stress
super beijo
Gra
Sei exatamente o que vc sente. Quero morrer cada vez q tenho q fazer trabalhos domésticos. E meu pai ainda tem a pachorra de dizer que se não é ele em casa para colocar o lixo na rua A GENTE MORRE!!
Hoje estou prestes a dar início à Terceira Guerra Mundial pq meu irmão não guardou as roupas que passei pra ele... hehehe
Oi Tati,
Haahahaha... é isso mesmo... estamos tentando discutir isso no blog!!! Mas esta dificil deles entenderem!!! Hahhaaha... a propósito acho que ate sei quem é esse seu amigo que andou te dizendo essas coisas viu... tem algum "parentesco" com minha parceira de blog neh!!! hahahahhahaa!!!!
BEIJOS
Clarinha
Meninas,
desculpem pela falha no "quem sou eu", ja nos retratamos publicamente!!!!
Hahahahahaha.
Beijos
Dessa vez tenho que discordar de vc.
Não pedi a revolução feminina e também não queimei sutiã. Porque eu tenho que ser mãe, empresária, dona de casa, gerente financeira da empresa do marido e ainda manter minhas unhas impecáveis?
Mas a revolução tá aí e agora é se adaptar. E diga-se de passagem, a mulher é poderosa nesse lance de adaptação.
Acredito, como mãe e mulher, que é nossa obrigação educar nossos filhos para essas mudanças.O que na realidade nossos pais não fizeram.
Minha mãe trabalhava fora,cuidava da casa, dos filhos, fazia o prato do meu pai e ainda entretia as crianças para que não fizessemos barulho na hr do Jornal Nacional (rrrss - ninguém merece).
Aqui em casa, meu marido e eu dividimos os afazeres, meu filho de 8 anos guarda a louça e o de 4 anos tira o lixo.
E sempre deixo claro que não é favor e sim obrigação.
Bjs
Éééé Andreia... eu tbm não! Mas não tem mesmo como voltar atrás e, quer saber, eu prefiro ser tudo do que ser só dona de casa... de verdade! Mas concordo com o lance da adaptação, afinal, sua mãe foi mesmo uma supermulher, mas ah.. ainda bem que as coisas estão evoluindo... não? rsrs
Cy, só estou tranquila quanto ao fato de vc estar na beira de uma praia nesse momento, pq ao menos seu pai tá na sua casa pra tirar o lixo! kkkk
E Clara! Simmmm, é o próprio! hahahaha... e muito obrigada pela retratação! As meigas agradecem!
Bjos a todos
Querida MegaUltraPower Mulher Moderna Tati,
Adorei o post...vc conseguiu retratar com certa imparcialidade. Parabéns!!
Uma casa funciona quase como uma empresa, resguardadas as devida proporçoes, eh claro. Entao o que acontece na maioria das vezes eh que a mulher luta para se tornar diretora de uma empresa, e quando chega la, reclama que tem que ficar ate mais tarde no serviço, que tem muito relatorio para fazer, muita gente pra gerenciar, etc....ora bolas!!!!
Agora, revolucao dentro de casa!!! essa vai ser boa. To ate escutando uma "parente minha" dizendo: "Marido, vem aki que vamos dividir as tarefas. Segunda, quarta e sexta eu dou o peito de mamar pro Junior. Terça, quinta e sabado e vc que dá. Domingo ele mama na rua e usa a mesada!
Um beijo!
Olá Tati...
Sem querer me alongar muito no assunto... rsrsr (mas acho que não vou conseguir), confesso que tive que imprimir seu post, para ver item por item. Engraçado que ‘seu amigo’ me disse que vc “entendeu” o lado dele. Mas quando ele me falou isso, por um momento eu achei que vc tivesse concordado com ele, Uffa!! Estou aliviada agora depois de ler seu post.
Em primeiro lugar já deixo claro aqui que eu adoro uma cozinha e uma panela; quando olho para a vassoura, então, ela me chama... é incrível.... sério mesmo...
Mas faço porque eu tenho prazer do fundo da alma.... Gosto de cozinhar, de arrumar a casa, enfim sou Amélia convicta. Mas também trabalho fora e muito! E sou feminista ferrenha, acima de tudo.
A maioria das tarefas domésticas que eu faço é porque eu gosto! Não me obrigue! Não sou obrigada, pois trabalho fora tanto quanto todos os homens do mundo! Gosto de cozinhar de fim de semana, organizar a casa, decorar a casa para o Natal, fazer festas, costurar... etc...etc... Mas tarefa de todo dia? Depois que eu cheguei moooorta do trabalho desde as 7 da manha?? Nem a bala!!!
Se eu odiasse tarefas domésticas, como vc Tati, os homens da casa iam pular miudinho comigo.
Mesmo não ligando de lavar uma loucinha, vez ou outra, eu divido as tarefas domésticas até esfregar a cara dele na pia....hahahaha (pelo menos eu tento).
A maioria das brigas entre eu e meu marido se resumem a tarefas, se bem que depois que eu arrumei uma faxineira duas vezes por semana meu casamento melhorou 90 %.....srsrs.
Acho que não é o amor que garante um bom casamento, é uma boa faxineira que garante qualquer casamento!
Quanto ao texto eu resolvi fazer um post no http://quesaudadedaamelia.blogspot.com/2009/11/guerra-dos-sexos.html
Espero que você vá até lá para conferir...rsrsrs
bjs
Querida SST (SuperSensivelTati),
Eu disse para nossa amiga que vc "entendeu" o que eu disse. Tanto eh que esta escrito la.
A parte vc "concordou" foi por conta dela. Eu disse "entendeu". Cada um entente como quer!
Talves pelo fato de vc ser menos "radical", como eu tbm sou, consiga ver os dois lados da moeda.
Ja dizia o poeta: A beleza esta nos olhos de quem ve.
No nosso caso, A interpretaçao da oraçao esta no ouvido de quem ouve!!!!rsrs
Um beijo!
Sabia! Sabia que era vc Piga, sabia sabia mesmo! Até pq, confesso que quase cai da cadeira de rir com a divisão de tarefas com o Júnior... e pensei que tamanho talento cômico só podia ser seu! rs
Sim, eu entendi o que vc quis dizer... não quer dizer que eu aceite e concorde com esse tipo de situação (veja bem, não estou falando nem de princípios, mas sim de situações). Mas entender eu entendi, e como eu disse no texto, é inegável que certas coisas são realidade. Sim, ainda somos "nozes" as donas de casa... porém, reafirmo meu direito de revolta e desejo de mudanças nessa realidade! Revolução sim!!! Tirando o que a natureza impede, vcs são tão capazes qto nós nas tarefas!
Mas, pensando em todo esse valioso debate virtual me pergunto: que tal todos nós promovermos uma "mesa redonda" sobre o assunto? Ou melhor, uma mesa quadrada, mesa de bar! O chope será o moderador dos debates! rs
Bjos a todos!
Opa...topo topo...pq nao!!!!!
Ainda mais com um moderador tao apreciado como este!!!!
bjossssss
SST,
Ainda refletindo sobre o assunto, eu percebi lendo seu texto e o texto do blog quesaudadedaamelia, que ambos citam ou fazem referência em contratar "faxineirA", "empregadA"...
Será só coincidencia ou trata-se de uma questao cultural e historica, que vem sendo assim desde os primórdios da humanidade, e dai vem 6 duzias de "Joana D'arc" querem mudar isso da noite pro dia, e, como se nao bastasse, ainda exigem que a gente aceite, mude, acate toda essa mudança num piscar de olhos! Se nem vcs se acostumaram com a idéia ainda...querem que a gente....plim!!! vire meio homem meio mulher!
Bjossssssss
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